Ibovespa completa 8ª queda seguida com saída de estrangeiros e pressão fiscal

O Ibovespa fechou ontem (13/08) em queda de 0,23%, aos 167.100 pontos, completando a oitava sessão consecutiva de perdas. O dólar avançou para R$ 5,19. Estrangeiros seguem retirando recursos e bancos (especialmente BBAS3) e Sabesp pressionaram o índice.

O CENÁRIO

A sequência negativa ganhou força após o JPMorgan rebaixar a recomendação para ações brasileiras de overweight para neutra. Desde abril, a saída de capital estrangeiro já supera R$ 30 bilhões. No pregão de ontem, o Banco do Brasil caiu mais de 4% apesar de lucro acima do esperado, por causa da inadimplência ainda elevada (agro e pessoa física). Sabesp também recuou forte após o balanço do 2º trimestre.


O IMPACTO
  • Oitava queda seguida do Ibovespa (pior sequência em anos)
  • Fluxo estrangeiro fortemente negativo
  • Preocupação fiscal e cenário eleitoral no radar
  • Resultados de bancos e utilities reforçando seletividade
  • Dólar em alta e juros reais ainda elevados

NOSSA ANÁLISE

A bolsa está em modo de aversão a risco puro. Não é um crash, mas uma sangria lenta e constante de fluxo estrangeiro. Quando o gringo sai, o Ibovespa sofre — e ele está saindo com força.

O mercado está cobrando mais disciplina fiscal e clareza política. Enquanto isso não aparece, a tendência é de volatilidade e seletividade: quem tem balanço sólido e gera caixa continua se segurando melhor. Quem depende de crescimento ou de crédito mais frouxo sofre.

Não vejo motivo para pânico, mas também não vejo motivo para otimismo fácil no curto prazo. Quem tem caixa e paciência pode olhar oportunidades pontuais. Quem está alavancado ou sem reserva de liquidez deve ter cuidado. A sequência de oito quedas já é um alerta.